Desempregados não tem como ficar com seus animais de estimação


Desempregados sem meios para manter animais de estimação em PORTUGAL

"Perdi a casa, não posso ficar com o cão" ou "vou morar para um quarto e não o posso levar" são exemplos dos pedidos de ajuda que chegam à Liga dos Direitos dos Animais, cada vez em maior número devido ao desemprego.
 

"Tem havido um crescente número de pedidos de ajuda por parte de pessoas que estão desempregadas" e não sabem o que fazer com o animal de estimação, disse à agência Lusa a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais (LPDA).


A situação mais frequente é de pessoas que contactam a Liga para saber como podem entregar o animal por terem ficado sem emprego ou por se encontrarem numa situação vulnerável, recorrendo já a ajuda alimentar para a sua família a outras instituições.

"A essas pessoas nós dizemos-lhes para não entregarem os seus animais, porque há sempre uma alternativa, junto de um amigo ou de uma associação", contou Maria do Céu Sampaio, comentando que os donos" também têm de se sacrificar um bocadinho pelo seu animal".

Associações sem capacidade de acolhimento

Apesar do animal "não ser uma coisa descartável" e dos apelos feitos pela Liga, tem havido um abandono crescente de animais, uma situação que começou com "mais persistência no verão passado", mas que acontece "todo o ano".

Quando os pedidos de ajuda chegam à Liga, as pessoas já estão "desesperadas", porque contactaram as associações locais e estas disseram que já não têm capacidade para acolher mais animais.

"Se for por questões financeiras, nós ajudamos com a oferta da alimentação e ajuda nos cuidados de saúde", mas só na zona de Lisboa e arredores, disse a responsável.

Mas os casos mais difíceis de resolver são aqueles em que as pessoas dizem que têm de ir morar com os filhos para um quarto e não podem levar o animal ou então que perderam a casa e não podem levar o cão. "Esses casos é que são dramáticos", frisou.

Todas as doações ajudam

Maria do Céu Sampaio alertou que as associações espalhadas pelo país estão amontoadas de animais e a viver grandes dificuldades econômicas. Para ajudar, apelou aos portugueses que doem "um saquinho de ração, desparasitantes, desinfetantes, antibióticos e medicamentos" às instituições da localidade onde moram.

A LPDA recebeu no ano passado mais de 150 toneladas de comida doada, que distribui pelas associações, mas tem muita carência de medicamentos, antibióticos e desinfetantes.

"Pelo menos, quatro associações sobrevivem apenas com esta alimentação que nos é ofertada. Depois há outras associações que vamos dando, conforme vamos tendo", disse, comentando: "Os animais são muitos e nós vamos gerindo o que nos dão para os animais terem alimento para todo o ano".

Por outro lado, defendeu, deviam ser aplicadas multas muito elevadas para quem abandonasse os animais. Mas para isso, é preciso alterar o Código Civil em que "os animais são coisas".

"É inadmissível que ainda não tenha sido alterado o Código Civil, uma das coisas mais importantes para terminar com o abandono, maus-tratos e violência contra os animais", referiu, defendendo que "é só pôr no Código Civil que os animais são seres sencientes [têm prazer e dor] e definir multas como acontece noutros países".

 

Fonte: JN

Última modificação emQuarta, 06 Maio 2015 18:58
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