Homem fica em Fukushima pra alimentar animais

Naoto Matsumura tem um lema muito particular: “Os homens e os animais são iguais”.

Fez este mês de março quatro anos que um violento terremoto abalou o Japão, afetando a central nuclear de Fukushima.

A 12 de março, radiação começou a irradiar da central. Apesar de nenhuma morte ter sido registrada, milhares de pessoas abandonaram a região.

Naoto Matsumura, um agricultor com 55 anos, manteve-se irredutível. Voltou a casa assim que pôde, apesar dos riscos.

E a razão pela qual o fez já mereceu até um documentário, Naoto queria certificar-se de que os cães da quinta da sua família estavam bem.

Conta o site Good News Network que a maior parte das pessoas deixou os animais de estimação para trás. A evacuação foi feita à pressa e muitos pensaram que poderiam voltar rapidamente. Mas o acidente nuclear foi pior do que se poderia ter imaginado e a maior parte das pessoas nunca mais voltou a casa.

Naoto, porém, desafiou as autoridades nipónicas e voltou à sua terra, Tomioka. Foi lá que descobriu que muitos dos animais dos seus vizinhos continuavam presos, esfomeados, à espera que os donos voltassem. O que Naoto viu tê-lo-á mudado para sempre. Escolheu ficar para cuidar dos animais abandonados.

Além de cães, patos, porcos, animais de gado, avestruzes e até um pónei passaram a estar ao seu cuidado. Mas a história mais impressionante é a de um cão a que chamou Kiseki (‘Milagre’). Um cão que ficou praticamente um ano inteiro fechado num celeiro, que se foi alimentado com os restos de outros animais.

Durante os últimos quatro anos, Naoto tem estado exposto a quantidades de radiação muito pouco aconselháveis para seres humanos. Quando foi analisado pela Universidade de Tóquio, a conclusão impressionou: os médicos nunca tinham visto um homem com níveis tão altos de radiação no organismo.

Naoto ainda não sente os sintomas. É provável que, dentro de um par de décadas, comece a sofrer as consequências de tão elevada exposição à radiação. Mas por enquanto a vida de Naoto é o mais normal quanto possível.

Todos os anos, em particular no mês de março, são várias as pessoas que passam pela zona afetada. Desde jornalistas a pessoas que em tempos ali viveram e que até trazem donativos, para que Naoto consiga continuar a alimentar os animais esquecidos. Vão e vêm passado uns dias.

Naoto, porém, continua. E a sua história já vai sendo conhecida para lá do Japão.


Reuters/ Por Notícias Ao Minuto

Última modificação emQuarta, 06 Maio 2015 18:12
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